MEU LIVRO DE CORDEL CORA CORALINA PDF

Publicou seu primeiro livro quando tinha 75 anos e tornou-se uma das vozes femininas mais relevantes da literatura nacional. Cursou apenas atй a terceira sйrie do curso primбrio. Em , Cora Coralina foi convidada para participar da Semana de Arte Moderna, mas foi impedida pelo marido. Em , depois da morte do marido, Cora Coralina tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos. Viveu por muito tempo de sua produзгo de doces. Embora continuasse escrevendo, produzindo poemas ligados а sua histуria e aos ambientes em que fora criada, se dizia mais doceira do que escritora.

Author:Daigal Dataxe
Country:Sri Lanka
Language:English (Spanish)
Genre:Art
Published (Last):14 January 2006
Pages:464
PDF File Size:6.79 Mb
ePub File Size:14.34 Mb
ISBN:495-7-25680-899-4
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Cantei um velho quintal com murada de pedra. Cantei a casinha velha de velha pobrezinha. Cantei colcha furada estendida no lajedo; muito sentida, pedi remendos pra ela. Cantei mulher da vida conformando a vida dela.

Cantei cidade largada. Cantei burro de cangalha com lenha despejada. Cantei vacas pastando no largo tombado. Agora vai se acabando Esta minha versejada. Boto escoras nos serados por aqui vou ficando. Das Pedras Ajuntei todas as pedras que vieram sobre mim. Levantei uma escada muito alta e no alto subi. Teci um tapete floreado e no sonho me perdi. Uma estrada, um leito, uma casa, um companheiro.

Tudo de pedra. Entre pedras cresceu a minha poesia. Minha vida Quebrando pedras e plantando flores. Entre pedras que me esmagavam levantei a pedra rude dos meus versos.

Lua-Luar Escuto leve batida. Entra lua poesia antes dos astronautas: Gagarin da terra azul, Apolo XI que primeiro passeou solo lunar. O banzeiro das pororocas. Lua dos namorados, das intrigas de amor, dos encontros clandestinos. Lua-luar que entra e sai.

Lua nova, incompleta no seu meio arco. Lua crescente, velha, enorme, fecunda. Lua de todos os povos de todos os quadrantes. Lua que enfurece o mar em chumbo, acovarda barcos pesqueiros. O barqueiro se recolhe. O jangadeiro trava amarras. Gaivotas fogem dos rochedos. Luar dos velhos. Das velhas plantas sentenciadas. Lua boa. Lua ruim. Lua de chuva. Lua de sol. Lua grande.

O fruto aceito — mal aceito: repudiado, abandonado. A semente viva palpitante deixada em porta alheia. Na onda veio uma alga. Na alga achei uma concha.

Dentro da concha teu nome. Tomei o mar entre os dedos. O mar me levou com ele. Cavalo-marinho montei, crinas brancas de seda, cascos ferrados de prata, escumas de maresia. Na garupa do meu cavalo, levo meu peixe de ouro. Na serenata do sonho ouvi um sonido de estrelas. Discos de ouro rolando trazendo impresso teu nome. Num tempo era menina.

Num instante virei mulher. Queria ver sem ser vista. Fugi tanto que o encontrei no relance de um olhar. Pelos caminhos andamos no tempo de semear. Meus riscos verdes de luz, caminhos dentro de mim. Estradas verdes do mar, abertas largas sem-fim. Meu barqueiro, meu amor, bandeiras do meu roteiro. Meu barco de espuma do mar. Onda verde leva e traz, cantigas de marinhagem.

Vou rodando. Sementes vou semeando nos campos da fantasia. Vou girando. Vou cantando e Sobe para a luz e para o alto a flor Veio de longe. Apanhada num monte de entulho de lixeira. Oitenta e alguns avos de enxada e terra.

Sabedoria agra. A Flor Promessa, encantamento. Folhas longas, espalmadas. Espadins verdes montando guarda. Da Flor A expectativa, o medo. O vento, a chuva, o granizo. Para a Flor Chamei a tantos Afinal a Flor Vara florida de castidade santa. E foi assim que eu vi a Flor. Horas de sono, de acordar. Horas da escola — ida e volta. O menino, o homem. Marca sempre horas felizes neste lar. Pablo Neruda I Perdoa-me poeta. Tantos cantores pelo mundo E eu a pensar que foste apenas um grande poeta entre outros grandes Pablo Neruda II Poeta.

Amarrada em cordas grossas. Minha pequenina poesia Quando te foste para sempre plangeram os sinos da terra e silvaram todas as sirenas dando aviso no universo. Partiu-se o fio de ouro filigrana da tua poesia universal. Grande poeta. Vieram as chuvas e o calor acamou o limo na camarinha das grotas. Deflorando a terra. Era a casa deles. Gostavam de flores, de vasos e de roseiras. Um quintal muito grande de fruteiras fartas e escolhidas.

Gaiolas dependuradas. Meninos brincando.

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